quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os Amigos e o Arco-íris

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Data: Ontem à tarde. Sábado de carnaval
Local: Praia do Aturiá. Bar remanescente da sua orla sem denominação. Forte tempestade. O barulho dos trovões. A faísca dos raios. O aguaceiro é geral. As ondas do mar com toda a sua fúria provocam medo. Inundam o recinto. Encontro-me só. Os amigos não apareceram. Como na música de Paulo Diniz: “pensaram que eu tivesse falido”... Peço o meu segundo uísque. Aproxima-se um cidadão maltrapilho, um mendigo. Pede para sentar. Digo que sim. Puxa conversa. A tempestade vai embora e surge um lindo arco-íris. Então, passo a contemplar a beleza dessa manifestação da natureza.
_ É o símbolo que o criador escolheu para sua aliança com os homens: disse o mendigo fitando o arco-íris. Acrescentando: está na Bíblia, no Gênesis: “E Deus disse: “Eis o sinal da aliança que Eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras”. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre Mim e a Terra. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, e Me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie” (Gn 9, 12-15).

Então, ofereci ao companheiro mendigo uma dose de uísque para que pudéssemos brindar o surgimento da aliança divina. _É um guerreiro que paira intangível na atmosfera para confirmar a sua vitória sobre a tempestade, - finalizou, se referindo ao fenômeno tecido com as sete cores primitivas.
Sem dizer o seu nome, se despediu deixando em minhas mãos uma página de revista com o texto que a seguir compartilho com os senhores; “Quanto tempo perdido, quanta dor afligida, quanta lágrima caída, quanto sonho sonhado, quanta vida passada, quanta infelicidade parida, quanta culpa por nada, nesta vil caminhada, serpenteada por companheiros que apregoam de tudo, mas não te acompanham em nada, de tal arte a vida perder o tom, à existência a razão, os enamorados a esperança e a fantasia o encanto, por tudo, em função do nada, pincelado num auto-retrato meu/teu/nosso, alcunhado pela verve da cronista como auto-boicote, em que “(...) nossos olhos e corações, de tão aflitos, só enxergam e sentem angústias, tristezas e decepções... De modo a só valorizarmos o que de menor valor existe em nossas vidas, o que vai nos deixando amargos e frios... Ao ponto de, às vezes, questionarmos o que de mais belo existe dentro de nós, como a família e os amigos e, por outra nos fazendo, até mesmo, achar errado ser romântico, sensível, generoso, zeloso, amável... Apaixonado, daí não se compreender, porque outras pessoas, a quem permitimos fazer parte de nossas vidas, dizem sentir-se sufocadas, incomodadas, por serem alvo de nossa dedicação!
Como pode? É, mas pode... A palavra que estas pessoas não encontram para definir o que sentem, talvez, seja “culpa”. Culpa por saber que não merecem tanto amor... Por não gostar de si mesmas ao ponto de presentear-se com amor de alguém... Por estas e outras, é que deixamos de contemplar um lindo pôr-do-sol, a alegria do sorriso de um filho, de um sorriso ou de uma criança que nem conhecemos e que passa por nós instintivamente, nos mostrando aquelas “covinhas” que iluminam o dia de qualquer um.

De ganhar um carinho que só pai e mãe sabem dar, de passar um tempinho a mais ouvindo aquelas histórias que, já ouvimos um monte de vezes, mas que vó e vô contam como ninguém. De receber um beijo, um afago, um olhar de alguém que, de verdade, está apaixonado por você, e o melhor: gosta exatamente como você é... E que no fundo também te interessa, mas que inconscientemente você afasta... De aceitar a ajuda e conselhos dos amigos de verdade... Por quê? Será que temos sempre que nos sentir atraídos por quem não nos quer? Será que fizemos algum pacto com a infelicidade? Por que teimamos em querer quem não nos faz feliz? Pode até se ter um dia, mas nossa vida é hoje, o agora! Portanto, abandone e esqueça tudo que te impede de viver bem, e que, portanto, não tem valor.
Permita-se assistir o sol se pôr, aos colos de pais e mães, às doces palavras de nossas avós, dormir e acordar com alguém que de verdade adore seus beijos, carinhos e demonstrações de afeto e que valoriza e retribui isso... A descobrir quem são nossos poucos e verdadeiros amigos, àqueles em que podemos confiar... E viver nosso presente, como realmente merecemos... Felizes!”
Em tempo:

Ao perguntar ao garçom se aquela “figura” que estava comigo era freqüentadora do ambiente, obtive como resposta: - “o senhor estava só com dois copos de uísque na mão. Não tinha mais ninguém”. Calei-me.

P.S. O autor do texto também não estava identificado.
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Texto: Wagner Gomes
E-mail:wg_ed.wagneradv@hotmail.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

É CARNAVAL NO BRASIL!!!

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O carnaval retém a essência da “brasilidade” armazenando a memória nacional, pois tudo que não deve ser esquecido incorpora-se ao carnaval, isto só é possível com o aparecimento do carnaval popular, revelando a aceitação das camadas inferiores como integrantes de fato e de direito, tornando possível a integração de traços culturais.

O carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.


No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.

No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado. Assim sendo, constituindo-se como a maior manifestação da cultura popular do país, o carnaval é comemorado em todo território nacional das mais variadas formas, levando em consideração as peculiaridades das regiões e micro-regiões existentes, que produzem uma multiplicidade de sons, formas e movimentos, como as do Samba carioca, as do Frevo pernambucano e do Reisado cearense.
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(Foto: Blog da Alcilene - Bloco a Banda, em 1968)

Hoje o carnaval representa um complexo de elementos simbólicos que vão desde alternativa de democratização do lazer, atingindo uma parcela significativa da população urbana excluída do consumo de bens e serviços culturais pelo baixo poder aquisitivo, à utilização de modernos instrumentos de organização no gerenciamento deste importante segmento da “indústria cultural”, a qual, por envolver grandes demandas de recursos logísticos, humanos e financeiros, representa substancial relevância na economia do país, dos estados e dos municípios, movimentando produtos e serviços através do turismo e aquecimento do mercado.
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(Foto: Blog da Alcinéa - Desfile de Boêmio do Laguinho, década de 70, na Av. FAB )

As primeiras manifestações carnavalescas de rua surgiram em nosso Estado na década de 50, trazidas pelos saudosos foliões paraenses chamados Mestre Bené, José Vagalume, Mané de Sousa, dentre outros. Os mesmos fundaram inicialmente um bloco de sujo denominado de “Bandoleiros da Orgia”, assim surgia o nosso carnaval. Anos mais tarde com o surgimento de outros blocos, surgem as primeiras escolas de samba. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Surgem as escolas de samba: Maracatu da Favela, Boêmios do Laguinho, Embaixada de Samba Cidade de Macapá e Piratas da Batucada, entre outras.
(Av. Ivaldo Veras - Sambódromo)

De forma amadora surgiram as primeiras competições entre as agremiações carnavalescas. Dentre estas batalhas podemos citar as saudosas “Batalhas de Confetes” realizadas em alguns bairros (Macapá Hotel/Bairro Central e a do Barrigudo/Bairro do Trem) da cidade de Macapá (patrocinadas pelos comerciários da época). E, posteriormente, com o crescimento de nosso carnaval e com o surgimento de novas escolas de samba, em 1963 a Prefeitura Municipal de Macapá, passou a organizar os desfiles das escolas de samba na Avenida FAB, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.

Por conta desse crescente avanço é criada em 29 de julho de 1987 a Liga das Escolas de Samba do Amapá (LIESA), esta teria por objetivo administrar e organizar o carnaval amapaense. Posteriormente, impulsionado por esse crescente avanço de nosso carnaval - o espaço da Avenida FAB já se tornava inadequado para a apresentação de grandes espetáculos que começava a se anunciar. Assim, em 1997 o Governo do Estado constrói o nosso Sambódromo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

AMEAÇA DE POLÍTICA CULTURAL

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A constituição brasileira classifica a cultura como direito fundamental do cidadão. Esse direito deve, portanto, ser garantido pelo Estado. O direito cultural mais antigo e consagrado é o direito de autor. O direito à livre expressão vem logo após, seguido do direito a participar da vida cultural, decidir sobre a prática de sua escolha, acessar os mais diversos bens simbólicos. Os ventos ministeriais sopram, ora à sudeste, ora à nordeste. Num tempo brisa, noutro tempestade, mas devemos sempre nos perguntar: avançamos ou retroagimos na conquista desses direitos?
Lula assumiu prometendo ao povo e encomendando ao Ministro Gil a abertura de centros culturais por todos os cantos do Brasil. Uma verdadeira revolução cultural, como a implementada na França por André Malraux e consolidada por Jacques Lang. Surgiu o projeto das BACs, quem se lembra disso? Com ela o ainda inexplicado episódio que resultou na demissão de Antonio Pinho, acusado por Juca Ferreira de armar a favor de si e contra o Erário.
Muitas vozes do MinC dizem que o programa Cultura Viva já existia quando Celio Turino aportou na Esplanada com o difícil desafio de substituir o compadre de Gil, o homem que indicou o tropicalista à menos cobiçada pasta do Planalto. E que o traiu.
O fato é que Celio Turino colocou o primeiro edital dos Pontos de Cultura na praça em 40 dias. E foi construindo e tecendo uma das teias das mais interessantes da nossa história, contando com o apoio do seu partido, da bancada e uma série de atividades culturais instigantes e muito representativas da rica diversidade cultural do Brasil. Mas agora o
Cultura Viva agora é Mais!
Algum direito cultural foi garantido com o programa? É certo que sim, pelo menos o direito legítimo e inalienável daqueles pouquíssimos agraciados com os editais dos pontos. Sim, pouquíssimos, por mais que o MinC diga que “nunca nada tão grandioso fora realizado até então”. Confundo-me com as contas do MinC, mas acho que já passam de mil o número de credores do ministério, muito distante dos 20 mil prometidos.
Hoje recebi um telefonema intrigante do protagonista de um dos projetos mais emocionantes e decentes que já vi acontecer em terras brasileiras, em local bem distante dos grandes centros. A história é que ele havia perdido um dinheiro da Lei Rouanet por incompetência do MinC, que agora criou uma imensa burocracia para prejudicar os que não têm recursos para contratar os melhores advogados do Brasil, que conseguem aprovação de projetos com notificações, mandados e ações de inconstitucionalidade pela OAB, como é comum nos dias de hoje. O valor do patrocínio? R$ 30 mil, por mais que o MinC diga que Lei Rouanet só financia livros de mesa e espetáculos estrangeiros.
Pois não é que este mesmo respeitável empreendedor sociocultural foi agraciado com o edital dos Pontos de Cultura, depois de uma dessas difíceis pelejas a que os artistas estão submetidos em tempos de escambo político! O mais interessante é que esta é mais uma das inúmeras vozes que me perguntam: “devo entrar nessa roubada? Todos que viraram ponto não recebem do MinC, ficam devendo na praça, são considerados inadimplentes (pelos incompetentes) e ainda correm o risco de virar produto de um varguismo requentado e démodé”. O que fazer?
Desde que o MinC resolveu fazer o sucesso de seus empreendimentos à custa do desgaste do que “já existe e dá certo”, mesmo que não do jeito que gostaríamos (”não porque é do governo anterior, mas por que é perverso”), vimos a corda roer para o lado mais fraco dentre os milhares de proponentes em busca de um lugar de dignidade no patrocínio privado.
O ministro luta diariamente para minar a fonte de recursos da indústria cultural, do show business, dos projetos socioculturais, dos festivais, dos CDs, livros, espetáculos, negócios de interesse público e privado. Projetos de 30, 40, 100 mil, e também de 1, 2 ou 3 milhões de reais.
O Gil jamais faria isso, tenho certeza disso. Promovi fóruns empresariais com a presença do ministro-artista. Ele foi duro, exigiu responsabilidade de todos para com a cultura, mas não moveu uma palha para prejudicar a vida de qualquer produtor ou artista. Tentou o diálogo, não a coerção. Tentou a abertura, não a centralização. Foi-se o Gil ministro. Deixa saudades, como toda a sua equipe, enxotada do MinC apenas por discordar.
Mas vamos supor que Juca tenha razão. A Lei Rouanet é mesmo perversa (eu, pessoalmente, publico isso desde que o Juca não sabia o que era política cultural. Agora, veja só, sou obrigado a combater o tipo de apropriação que o governo faz dessa crítica). Pergunto, caro leitor, o que teremos em troca do esquartejamento público da Lei Rouanet? Ponto de Cultura? Quantos? E quanto mesmo paga o MinC a este Ponto, ou a um Griô? E a um mestre de cultura popular premiado? E a um projeto de cultura indígena? E depois, como ele garante a sua subsistência? Quer criar um mercado? Que mercado é esse?
Observo, comento e critico o mercado e as políticas culturais há 11 anos. Critiquei duramente a gestão do Weffort. Apoiei de corpo e alma a do Gilberto Gil, mas sou obrigado a discordar veementemente do comando de Juca Ferreira. Ultimamente, vejo os recursos cada vez mais concentrados nas mãos do próprio governo, que luta para aniquilar com qualquer outra possibilidade de sobrevivência do mercado cultural, para conquistar o seu objetivo de controle e mando sobre todas as formas de uma diversidade cultural sua, própria. É uma visão minha pessoal, não é isenta. Como nenhuma outra, aliás.
Peço que discordem de mim. Quero estar errado. Mas talvez tenhamos, todos nós, até mesmo Gilberto Gil, menosprezado o poder de Juca. Ele vai conseguir derrubar a Lei Rouanet. Estão todos calados, acuados, ameaçados. Todos com medo das ameaças do poder central. Derruba todos em seu caminho. E também vai me derrubar. Vai me calar, tenho certeza disso.
O discurso republicano ainda vive. Existe um conselho da sociedade civil escolhido por ele, editais públicos analisados por seus indicados, a consulta pública mescla-se com propaganda política, o diálogo confunde-se com comício. Anúncios na grande mídia, mas nenhum projeto de lei. Nenhuma proposta. Só ameaça!
Diz um amigo próximo do ministro e do mercado: “prefiro ficar na mão de 200 dos mais gananciosos banqueiros e agiotas a ficar na mão de um só Juca Ferreira”. Não há nada mais ameaçador do que isso.
Mas por que as pessoas vão ao comício do Juca? Por que o aplaudem de pé? Por que acreditam que as empresas vão patrocinar o MinC, como ele quer? Como supõem que a distribuição desta verba imaginária seja feita? Ou crêem que o fim da Lei Rouanet decretaria, num passe de mágicas, o surgimento um orçamento digno para a cultura? Pensam que é possível que a mesma equipe que triplica os impostos da cultura fará revelar o triplo de orçamento? Que quem tira centenas de pequenos patrocínios com uma mão, garantirá recursos autônomos e independentes com a outra?
Talvez eu esteja, como declarou Antonio Abujamra, velho demais para ter esperança. Mas tenho medo!
Talvez esteja sendo injusto demais com o governo. Ontem mesmo vi o ministro Mantega culpar os bancos por praticar no Brasil os juros mais altos do mundo. Talvez seja esta a nova forma de governar. Simplesmente fingir que não é com ele e culpar o mercado, como faz o seu colega mais pobre em relação ao mercado cultural. A culpa é do mercado que não sabe usar a lei. Somos todos culpados. O Juca é o herói!
Talvez o Juca esteja certo. Somos um setor privilegiado, devemos abrir mão da nossa mais consolidada e suada conquista, devemos pagar mais impostos, confiar tudo a ele: nossos direitos autorais, culturais, econômicos, civis e políticos. Vamos deixar a cultura ser produzida somente pelo governo. E por quem ele escolher.
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Texto Publicado em 30 de Janeiro de 2009 (Cultura e Mercado), por Leonardo Brant

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Alô galera sintonizada na arte de encenar

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O SESC Amapá está abrindo as inscrições para o Curso de Iniciação ao Teatro.
Curso: Iniciação Teatral .
Local das Inscrições: Central de Atendimento do SESC-AP
Valor (Taxa Única): R$ 20,00 (Vinte Reais)
Usuário; R$ 10,00 (Dez Reais) Comerciário e Dependente.
Início do Curso: Dia 10 de Março de 2009 e
Término: Dia 14 de Junho de 2009.
O Local: Teatro Porão do SESC-AP.
Horário: Das 19 as 22 Horas.
Idade Míima Exigida: 16 Anos.
Facilitador: Genário Dunas (Ator-Diretor de Teatro -Cantor e Compositor).
Informações: Central de Atendimento do SESC-AP / Telefone: 96 3241-4440.